Política

Oposição quer voto aberto na sessão que decidirá sobre prisão de Delcídio

Oposição quer voto aberto na sessão que decidirá sobre prisão de Delcídio

delcidio

Senadores de partidos de oposição passaram a defender que a sessão que vai decidir sobre a manutenção da prisão do colega Delcídio do Amaral (PT-MT) seja aberta. Até então, a expectativa era que a deliberação só poderia ser feita por voto secreto.

O Senado tem que decidir sobre a manutenção da prisão de Delcídio porque ele tem foro privilegiado –a Constituição estabelece que, em casos de prisão em flagrante, “os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.

“O PSDB vai defender que a votação seja aberta”, afirmou o senador Aécio Neves (MG).

A posição é a mesma entre nomes do DEM, PSOL e PDT. Esses partidos se preparam para ir à Justiça, caso a cúpula do Senado entenda que a votação deve ser secreta.

“Nós ainda estamos vendo com as equipes se um mandado de segurança seria o mecanismo adequado para isso”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que está em contato com nomes do PSDB e tenta articular uma defesa conjunta da sessão aberta.

“Tudo nessa Casa deve ser aberto”, defendeu o senador Cristóvão Buarque (PDT-DF). Segundo ele, clima na Casa é de “perplexidade”.

“Num momento como esse é preciso refletir não só sobre o caso do senador, mas de todos nós”, concluiu.

O Senado não tem prazo para deliberar sobre a situação de Delcídio. A expectativa é que os autos do STF (Supremo Tribunal Federal ) que tratam do episódio devem chegar ainda na tarde desta quarta-feira (25) à Casa.

INVESTIGAÇÕES

Delcídio teve a prisão decretada pelo relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o ministro Teori Zvascki, por suspeita de tentar atrapalhar as investigações sobre o escândalo de corrupção na Petrobras.

Segundo Zavascki, ele ofereceu de uma “mesada” de pelo menos R$ 50 mil para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró não fechasse acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República e chegou a tratar de uma eventual rota de fuga do ex-diretor caso a Justiça concedesse um habeas corpus a ele.

Uma sessão da Segunda Turma do STF, em reunião extraordinária, manteve a prisão do petista.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) afirmou, pelo Twitter, que a bancada do Democratas irá votar pela manutenção da prisão do petista. “Não cabe a esta Casa contestar decisão num momento tão grave e que abala o Senado Federal. É importante também que o PT se pronuncie”, afirmou.

Os principais partidos de oposição ao governo federal ainda pretendem utilizar a prisão do líder do governo como argumento para a necessidade de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara dos Deputados.

Folha