"Lei é lei"

Moro será homem de sorte se não acabar preso - Por J.R. Guzzo

"Lei é lei, e tem de ser aplicada para todos. Só que o Brasil não é assim"

Comemoração do impeachment

Comemoração pró-impeachment lembra final de Copa do Mundo em Praça de Curitiba.
Segundo a Polícia Militar, 8,5 mil pessoas participaram do ato na Pró-impeachment na Praça Santos Andrade em Curitiba desdás 13h até as 0h do dia 17/04/2016

Com três prisões e duas conduções foi quase pacifica o acompanhamento dos votos da Sessão da Câmara dos Deputados.

Fotos das camisetas da República de Curitiba em apoio ao Juiz Sérgio Moro 

Fotos das camisas da República de Curitiba em apoio ao Juiz Moro
Comemoração do impeachment Comemoração pró-impeachment lembra final de Copa do Mundo em Praça de Curitiba. Segundo a Polícia Militar, 8,5 mil pessoas participaram do ato na Pró-impeachment na Praça Santos Andrade em Curitiba desdás 13h até as 0h do dia 17/04/2016 Com três prisões e duas conduções foi quase pacifica o acompanhamento dos votos da Sessão da Câmara dos Deputados. Fotos das camisetas da República de Curitiba em apoio ao Juiz Sérgio Moro Fotos das camisas da República de Curitiba em apoio ao Juiz Moro

“Durante sete anos, o Brasil não foi o Brasil. Esteve em operação, ao longo desse tempo, a Lava Jato – e a Operação Lava Jato era exatamente o contrário da política brasileira como ela sempre foi. No Brasil da Lava Jato os políticos e os demais corruptos, de todo porte e espécie, se arriscavam a ir para a cadeia. Foram presos um ex-presidente da República, o dono da maior empresa de obras públicas do país, governadores de Estado, um ex-presidente da Câmara dos Deputados e por aí afora. Os próprios ladrões se comprometeram a devolver aos cofres públicos R$ 15 bilhões da montanha de dinheiro que tinham roubado.

Em qualquer país sério é precisamente assim que as coisas se passam; lei é lei, e tem de ser aplicada para todos. Só que o Brasil não é assim. A vida pública, na verdade, é o contrário disso. A Lava Jato, enquanto durou, refletiu um país que não existe. Nada mais natural, assim, que ele voltasse à sua verdadeira natureza. É o que acaba de acontecer, oficialmente, com a dissolução formal da operação toda, por ordem de ninguém menos que o próprio procurador-geral da República. Aí sim. Eis, enfim, o Brasil de novo sendo como o Brasil realmente é: o chefe dos investigadores decide que é proibido investigar.

A Lava Jato sempre foi a principal inimiga dos que mandam no Brasil: gente da política e do governo, seus parentes e amigos, empreiteiros de obras, fornecedores do Estado, donos de empresas estatais, altos barões do Judiciário e empresários que vivem do Tesouro Nacional. Seu grande objetivo na vida, nesses sete anos, foi acabar com a Lava Jato; todos, nesse bonde, têm um sistema natural de rejeição à honestidade.

No começo, com medo do imenso apoio popular às novas regras, o mundo oficial fingiu que apoiava a operação. Depois, com o tempo, passaram a aparecer queixas de que estaria havendo “exageros” nas investigações e sentenças contra os corruptos. Mais um pouco, as reclamações viraram uma guerra aberta e sem quartel; a Lava Jato, no fim, estava sendo acusada em pleno Supremo Tribunal Federal de criar “um regime de exceção” no país, a “República de Curitiba”.

Foi um momento de exceção, de fato: pela primeira vez em sua história, possivelmente, a Justiça e o aparelho de Estado brasileiros consideraram que roubar dinheiro público era ilegal. Assim que foi possível voltar à vida de sempre, naturalmente, eles voltaram: enterrar a Lava Jato sempre foi o objetivo número 1 das elites brasileiras, seja no governo Lula-Dilma, seja no governo Temer, seja no governo Bolsonaro – a cujo procurador-geral, no fim, coube a grande honra de dar o tiro de misericórdia.

Do jeito que vão as coisas, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, será um homem de sorte se não acabar preso.”

Fonte: Gauchazh
Créditos: Gauchazh