'índios manipulados'

Indígena e quilombola são explorados e manipulados por ONGs, diz Bolsonaro

"Mais de 15% do território nacional é demarcado como terra indígena e quilombolas. Menos de um milhão de pessoas vivem nestes lugares isolados do Brasil de verdade, exploradas e manipuladas por ONGS

Presidente eleito, Jair Bolsonaro, participa de solenidade de formatura de Aspirantes da Escola Naval, na Ilha de Villegagnon, Baia da Guanabara.
Presidente eleito, Jair Bolsonaro, participa de solenidade de formatura de Aspirantes da Escola Naval, na Ilha de Villegagnon, Baia da Guanabara.

O presidente recém-empossado Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, nesta quarta-feira (2) em seus perfis nas redes sociais, que indígenas e quilombolas equivalem a menos de um milhão de pessoas no país, mas ocupam 15% do território nacional. Disse ainda que esses grupos são “explorados” por ONGs (organizações não governamentais).

A declaração vem um dia após uma MP (Medida Provisória) assinada por Bolsonaro retirar da Funai (Fundação Nacional do Índio) a atribuição de demarcar as terras indígenas e incluir um dispositivo que prevê o monitoramento de organismos internacionais e organizações não governamentais entre as atribuições da Secretaria de Governo da Presidência, comandada hoje pelo general Carlos Alberto dos Santos Cruz.

“Mais de 15% do território nacional é demarcado como terra indígena e quilombolas. Menos de um milhão de pessoas vivem nestes lugares isolados do Brasil de verdade, exploradas e manipuladas por ONGs. Vamos juntos integrar estes cidadãos e valorizar a todos os brasileiros”, escreveu.

Na MP, a responsabilidade de realizar a reforma agrária e demarcar e regularizar terras indígenas e áreas remanescentes dos quilombos passou ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comandado pela líder ruralista Teresa Cristina, deputada federal pelo Mato Grosso do Sul.

Já a Secretaria de Governo da Presidência terá, entre outras atribuições, “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades e as ações dos organismos internacionais e das organizações não governamentais no território nacional”.

O novo presidente é crítico contumaz da atuação das ONGs no Brasil. Antes e depois da campanha eleitoral, por exemplo, reclamava de um decreto presidencial assinado pelo então presidente Michel Temer, em 2017, que destinava 40% das multas aplicadas do Ibama em financiamento a programas de recuperação de áreas degradadas, que poderiam ser tocadas por essas entidades.

Ministros elogiam mudança sobre terras indígenas

No final da tarde desta quarta-feira, o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, afirmou que tratar da demarcação de terras indígenas foi uma promessa de campanha de Bolsonaro e disse que a mudança é uma tentativa de se fazer “uma coisa diferente”, já que, em sua opinião, a demarcação no Brasil “não deu certo”.

“Acho que vale a pena tentar, a ideia é boa e precisa ser tratada com o devido cuidado. Afinal de contas, o elemento índio no Brasil precisa de outro tipo de tratamento. Ele precisa ser tratado como cidadão brasileiro, e não como alguém de exceção que precisa medidas excludentes”, declarou.

O ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, concordou com o presidente e o colega de Planalto.

“Isso é uma questão técnica só. Isso aí não tem problema nenhum. O que a gente tem de ver são os resultados. Você faz arrumações para ficar melhor. Só isso”, disse.

Fonte: Uol
Créditos: UOL