
Aliados de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) planejam um contra-ataque a parlamentares que trabalham para acelerar sua cassação no Conselho de Ética da Câmara.
Cunha, que foi afastado do mandato como deputado e da presidência da Casa pelo STF (Supremo Tribunal Federal), é alvo do colegiado e pode perder o mandato por ter mentido ao negar ser dono de contas no exterior, como demonstram investigações da Lava Jato.
Pessoas próximas ao peemedebista elegeram o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) como alvo prioritário. Ele é um dos porta-vozes do movimento que prega a cassação de Cunha o mais rápido possível.
O plano da tropa de choque de Cunha é pedir a abertura de processo contra Delgado no Conselho de Ética, sob a alegação de que ele mentiu ao dizer que não recebeu recursos da UTC, uma das empreiteiras investigadas na Lava Jato, em 2014. A tese será sustentada por um registro da Justiça Eleitoral que aponta uma doação de R$ 100 mil para ele.
Os aliados de Cunha planejam usar uma fala de Delgado para sustentar que ele mentiu. Em discurso na CPI da Petrobras, em setembro de 2015, o deputado acusou o dono da empreiteira, Ricardo Pessoa, de ter mentido por citá-lo em delação como destinatário de dinheiro da empreiteira.
Na segunda parcial da prestação de contas de Delgado à Justiça Eleitoral, no entanto, consta uma doação de R$ 100 mil da UTC à sua campanha. O valor está registrado no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como contribuição feita para o PSB de Minas e, depois, remetida ao deputado.Delgado virou alvo da Lava Jato no STF após Ricardo Pessoa ter dito que ele recebeu R$ 150 mil da empresa graças a um acerto ilícito.
Créditos: Folha de S. Paulo