Opinião

Azevêdo dá sinais de que pode apressar definição sobre chapa e Senado - Por Nonato Guedes

Azevêdo dá sinais de que pode apressar definição sobre chapa e Senado - Por Nonato Guedes

Paraíba - Um interlocutor da confiança do governador João Azevêdo (PSB) informou ao colunista que o chefe do Executivo paraibano está recorrendo ao seu próprio “timing” para a construção do projeto que, se tudo der certo, lhe possibilitará concorrer ao Senado nas eleições do próximo ano, mas revelou que ele já admite apressar definições sobre a chapa e a sua própria postulação, a fim de conter a ansiedade que é latente no seu entorno.

O roteiro idealizado pelo gestor envolve conversas com integrantes da sua base política para consensuar acomodações que facilitem a sua retaguarda na hipótese de desincompatibilização em abril de 2026 a fim de ser candidato. Pessoalmente ele não cogita
permanecer até o último dia do mandato, como fez Ricardo Coutinho na campanha eleitoral de 2018, o que quer dizer que procura estar vacinado
contra intrigas de desconfianças sobre a ascensão do vice Lucas Ribeiro (Progressistas) , o que daria a este instrumentos de poder para se aventurar a uma disputa ao Executivo.


O interlocutor não deu detalhes sobre o processo que está sendo “costurado” pelo governador com seus liderados de diferentes partidos para promover o ajuste de pretensões que têm sido alardeadas na imprensa quanto à ocupação de espaços na chapa majoritária
. Mas a fonte foi enfática ao dizer que, a dados de hoje, o chefe do Executivo está decidido a encarar a disputa de uma vaga de senador, atendendo não somente a apelos da direção nacional do PSB como a expectativas de auxiliares bem próximos que querem vê-lo brilhando em outro posto na carreira política, uma vez concluída a jornada de dois mandatos à frente da administração da Paraíba, com repercussão positiva diante dos indicadores sociais e econômicos que o Estado experimenta. A ascensão de João ao Senado atenderia, também, à estratégia do Palácio do Planalto, sob o comando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para ter senadores aliados na próxima legislatura, em meio ao próprio projeto do mandatário de concorrer à reeleição. Enfim, avalia-se que pela sua experiência administrativa e conhecimento darealidade nacional Azevêdo possa vir a oferecer contributo relevante ao debate dos grandes temas do país.


A questão essencial que precisará estar resolvida para que o governador paraibano se afaste do cargo e se candidate ao Senado é a definição, em clima de convergência, da candidatura para sucedê-lo no Executivo, diante da constelação de pretendentes assumidos ou cogitados. O vice-governador Lucas Ribeiro (PP) e o deputado Adriano Galdino (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, já amplificaram para a opinião pública os respectivos interesses em disputar o Palácio da Redenção, cortejando em princípio o apoio de João Azevêdo, que consideram decisivo pelo saldo administrativo que tem proporcionado em dois mandatos consecutivos.

Mas Adriano tem recebido acenos, também, de forças da oposição interessadas em dividir o bloco governista, enquanto no próprio Republicanos a
que é filiado especula-se, igualmente, o nome do deputado Hugo Motta, recentemente eleito de forma consagradora para a presidência da Câmara dos Deputados. Já Lucas divide no mesmo metro quadrado do PP a sua pretensão com a do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, credenciado este pela reeleição espetacular conquistada no pleito de 2024, derrotando em segundo turno o ex-ministro da Saúde de Jair Bolsonaro, Marcelo Queiroga.

A candidatura do secretário de Infraestrutura e Recursos Hídricos do governo estadual,
Deusdete Queiroga, já esteve melhor posicionada no processo de especulações para a sucessão ao Executivo – ultimamente, essa possibilidade foi refreada com a falta de uma articulação mais proativa da parte do próprio Deusdete, coincidindo com a omissão do seu nome nas listas que políticos do próprio bloco oficial costumam fazer como ensaio ou aquecimento para o embate futuro contra uma oposição que poderá vir turbinada pela candidatura do senador Efraim Filho, do União Brasil, e por uma candidatura da direita bolsonarista a ser definida pelo grupo que atua na órbita do ex-ministro Queiroga, nomeado novo presidente do diretório estadual do Partido Liberal. O PSB, na composição da chapa governista, deverá da prioridade mesmo à vaga ao Senado, representada pela figura do
governador João Azevêdo, que, inclusive, tende a se fortalecer politicamente quando ascender nos próximos dias ao comando da agremiação no Estado, substituindo ao deputado federal Gervásio Maia. A eleição de João para dirigir o PSB significará um divisor de águas no cenário político paraibano, tornando maior a pressão dos correligionários para que ele concorra mesmo ao Senado Federal.

O chefe do Executivo paraibano demonstra ter consciência de que há uma movimentação intensa nos bastidores do seu grupo político para que ele comece a apressar definições ou sinalizar gestos sobre posições que serão tomadas em 2026, facilitando-se a arrumação dos interesses em jogo por parte de outros expoentes ou protagonistas do processo dentro das hostes oficiais. As perspectivas, consequentemente, são no sentido de que haja celeridade nos entendimentos e que, mais cedo do que
se pensa ou espera, haja sinal de luz no fim do túnel. As lideranças municipais, principalmente, estão mobilizadas para esse momento, na perspectiva de virem a contribuir para mudanças na dinâmica do cenário político-institucional que resultará dos futuros embates na conjuntura paraibana.