
Sempre que passo por lá, e tenho um mínimo de folga em compromissos, gosto de entrar na Igreja da Misericórdia para sentir o tempo voltar. Nessa quarta-feira, 26, repeti o gesto. Afinal de contas, não estou entrando num lugar qualquer, porém, no prédio mais antigo, em pé, existente na cidade, sobre o qual há relatos datados de 1595.
Entre aquelas paredes, dezenas de gerações viveram momentos de fé, mas, certamente, também de conflitos e de sobrevivência, corriqueiros ou muito singulares, nos mais de quatro séculos de vida da cidade de Nossa Senhora das Neves. Nenhuma outra construção em João Pessoa, sacra ou profana, civil ou militar, proporciona emoção dessa grandeza temporal.
No ambiente do catolicismo, se dispôs como matriz, em diversas ocasiões, frente a intervenções físicas eventuais na atual Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, cuja construção demorou séculos.
Lá estão sepultados os restos mortais de um casal (Duarte Gomes da Silveira e Fulgência Tavares da Silveira, ela, filha do primeiro capitão-mor da Paraíba, João Tavares) nem santo nem diabólico, que viveu os primeiros momentos, os mais iniciais, da conquista da cidade.
Aliás, foram eles que construíram o referido templo. Como parte dos haveres da Santa Casa de Misericórdia, a igreja teve ao seu lado, ali, entre a ex-Rua Direita (atual Duque de Caxias) e a ex-Rua das Mercês (hoje, Visconde de Pelotas), a primeira instituição de Saúde da cidade, a partir dos anos 1700, que virou o Santa Isabel.
E ainda tinha o cemitério, até a construção do Senhor da Boa Sentença, que sepultava os mortos carentes de tudo.
É muita história e, portanto, muita reverência devida pelos pessoenses à Igreja da Misericórdia.
Olha ela aí na foto!
Fonte: Sérgio Botelho
Créditos: Polêmica Paraíba

Sergio Mario Botelho de Araujo Paraibano, nascido em João Pessoa em 20 de fevereiro de 1950, residindo em Brasília. Já trabalhou nos jornais O Norte, A União e Correio da Paraíba, rádios CBN-João Pessoa, FM O Norte e Tabajara, e TV Correio da Paraíba. Foi assessor de Comunicação na Câmara dos Deputados e Senado Federal.
Sergio Mario Botelho de Araujo Paraibano, nascido em João Pessoa em 20 de fevereiro de 1950, residindo em Brasília. Já trabalhou nos jornais O Norte, A União e Correio da Paraíba, rádios CBN-João Pessoa, FM O Norte e Tabajara, e TV Correio da Paraíba. Foi assessor de Comunicação na Câmara dos Deputados e Senado Federal.