Opinião

É triste, mas temos que falar a verdade: A Muriçocas deixou de ser o chamariz do Folia de Rua - Por Vitor Azevêdo

Como bom pessoense da gema, como diriam os antigos, fui criado sabendo a importância que o Folia de Rua representa para a nossa Capital. 

É triste, mas temos que falar a verdade: A Muriçocas deixou de ser o chamariz do Folia de Rua - Por Vitor Azevêdo

Olá para você que não me conhece, meu nome é Vitor Azevêdo e trabalho como jornalista no Polêmica Paraíba.

Como bom pessoense da gema, como diriam os antigos, fui criado sabendo a importância que o Folia de Rua representa para a nossa Capital. 

A sequência dos dias era algo já posto na minha mente. 

A abertura que antigamente era no Pavilhão do Chá com o saudoso Picolé de Manga, Anjo Azul, dentre outros, o trio composto por Piratas, Baratas e Amoringa no meu querido Bancários, Virgens, Muriçoquinhas, Muriçocas e Cafuçu, não esquecendo de outras agremiações históricas que sempre abrilhantam o nosso pré-carnaval.

Na visão daquele menino que ia nas Muriçoquinhas desde bebê, a sua irmã mais velha, as poderosas Muriçocas, sempre eram o grande momento do Folia de Rua.

Com a alcunha de segundo maior bloco de arrasto do Brasil, perdendo apenas para o Galo da Madrugada, as Muriçocas eram sem dúvida nenhuma, a grande estrela da festa

Mesmo tão jovem e sem muita noção das coisas, eu sentia um clima diferente na cidade, as pessoas aguardavam aquele momento como se aquela fosse a festa de aniversário de João Pessoa, onde pessoas de todo canto da Capital esqueceriam os problemas naquela descida da Epitácio. 

Nas pesquisas que fiz pensando nesta coluna, encontrei uma matéria da Folha de São Paulo datada de 2003, que trazia a vinda de representantes do Guiness Book, com o intuito de comprovar o recorde de maior bloco das prévias de Carnaval. 

Para se ter uma dimensão da festa naquela época, encontramos o incrível número de 15 trios, com o grande artista nacional da edição, sendo o pernambucano Lenine.

Mas uma chave virou nas Muriçocas e eu não sei quando e nem o por que, mas aquele bloco gigante, foi infelizmente murchando com o passar dos anos.

E isso não é de agora, se procurarmos na internet, vemos críticas em relação ao público datadas de 2012, quando o então Presidente do Folia de Rua, Bola, afirmava categoricamente que às Virgens já haviam passado as Muriçocas.

Mas o que aconteceu nesse período de 9 anos, entre o Guiness e a fala de Bola? 

Não acredito que os mandatos de Fuba na Câmara Municipal ou a sua ávida luta pela mudança do nome de João Pessoa tenham qualquer relação.

Na minha humilde opinião, um fenômeno simples pode ser a causa dessa falta de interesse e de relevância que o bloco um dia teve. 

O público que seguia e curtia as Muriçocas nos anos 90 e 2000, não é mais o mesmo que consome o produto de 2025. 

Aí você vai me responder, mas Vitor, claro que isso aconteceu, pessoas morrem, se mudam, deixam de gostar de Carnaval, etc.

Mas o meu ponto é, o público jovem de hoje, curte os artistas e não mais o bloco. O interesse está em quem vai ser a grande atração.

Vumbora e Bloco dos Atletas são a prova viva dessa mudança de pensamento. Se formos pensar no Bloco dos Atletas de 15 anos atrás, que só fazia um pequeno percurso pela orla de Tambaú, a esse que desfilou com Ivete Sangalo neste ano, vemos essa diferença de uma forma gritante.

Mas para me contradizer, não posso deixar de citar que dois blocos tão antigos como as Muriçocas, não perderam o seu público, pois conseguiram se reinventar.

Virgens e Cafuçu

O Cafuçu com seu estilo peculiar e popular, foi deixando de ser apenas o último grande bloco do Folia de Rua, que se concentrava apenas na Praça Dom Adauto, a um fenômeno que tomou as ruas do Centro, invadindo também o Ponto de Cem Réis e a Antenor Navarro.

Já as Virgens, tem a seu favor, uma coisa que as Muriçocas tentam, mas não conseguem.

Atrair os Jovens

As Virgens sempre tiveram a alcunha de ser o bloco dos adolescentes e jovens adultos, enquanto as Muriçocas sempre foram mais ligadas a um público um pouco mais velho. 

O acerto da organização das Virgens foi trazer artistas que combinavam mais com o gosto daquela juventude, como em 2017, quando organizou uma votação entre Joelma e Anitta, na qual a cantora paraense, foi a vencedora.

É injusto falar que as Muriçocas não tentaram coisas novas, mas isso nem sempre deu certo. Em 2019 por exemplo, a organização tentou “voltar às origens”, desfilando sem a presença de trios, o que acabou sendo um fracasso de público.

Vendo que precisava recuperar o tempo perdido pós – pandemia, a Muriçocas trouxe Alok em 2023 e Nattan neste ano, com o claro intuito de atrair um público que tinha deixado o bloco de lado, mas tem um problema nisso.

Pois aqueles que vão para o bloco focados apenas na grande atração, deixaram a tradição de descer com Fuba e outros nomes, causando verdadeiros buracos por toda Epitácio.

E isso é muito triste, pois é nítido que Fuba, Juzé e a organização do bloco tentam fazer o melhor, com o intuito de manter a tradição das Muriçocas da forma mais respeitosa possível.

Mas como o título da coluna afirma, é triste, mas é preciso constatar, as Muriçocas deixaram de ser o grande chamariz do Folia de Rua e isso é nítido tanto para quem é mais conhecedor de carnaval, como também para o cidadão comum, que vê a diferença de público, se compararmos o Bloco dos Atletas para às Muriçocas por exemplo.

Não sei como a situação das Muriçocas pode melhorar a curto prazo, mas meu desejo, como pessoense, é de que às Muriçocas retomem de alguma forma, os tempos áureos dos anos 90 e que a tradição e relevância do bloco não sumam com o passar dos anos.

Fonte: Vitor Azevêdo
Créditos: Polêmica Paraíba