Opinião

A sinalização de abertura do governador para o debate político na base - Por Nonato Guedes

A sinalização de abertura do governador para o debate político na base - Por Nonato Guedes

Entre aliados políticos do governador João Azevêdo (PSB) repercutiu positivamente o gesto do chefe do Executivo sentando à mesa com os deputados Hugo Motta, presidente do Republicanos, e Aguinaldo Ribeiro, dirigente do Progressistas, para a discussão de temas ligados, inclusive, à formação da chapa majoritária para disputar as eleições de 2026. Embora, publicamente, ninguém tenha vazado detalhes da conversa de segunda-feira na orla marítima, é dominante o sentimento de que a agenda política está aberta na base que apoia João Azevêdo, bem como a leitura de que os três participantes procurarão manter-se entrosados e afinados para a tomada de decisões, inclusive, sobre questões externas como a hipótese de formação de federação entre o PP e o União Brasil, que enfrenta resistências na seção paraibana do Progressistas, externadas pelo vice-governador Lucas Ribeiro em troca de farpas com o senador Efraim Filho, do União, a pretexto de versões sobre o comando do suposto agrupamento que resultará da ideia proposta pelas cúpulas nacionais das duas legendas.
A possibilidade de formação de uma federação com reflexos nos Estados tem motivado manifestações em diferentes unidades da Federação. Em Goiás, o governador Ronaldo Caiado, do União Brasil, que prepara o lançamento de sua pré-candidatura à presidência da República, faz restrições à aliança por temer que seu projeto seja sacrificado, dependendo da definição sobre o comando nacional do bloco que está sendo discutido. Na Paraíba, Lucas Ribeiro e Efraim Filho divergem do ponto inicial – a candidatura a governador, já que ambos acalentam idêntica pretensão, e a divergência avança pelo controle da federação a nível local, em meio a ataques pessoais sobre supostas ligações com a velha política no cenário nacional. Para o esquema do governador João Azevêdo é importante ter informações sobre esse fato novo, da mesma forma como na oposição os aliados do senador Efraim Filho querem estar atualizados sobre o desenho final de uma aliança, já que o parlamentar tem colocado abertamente a sua postulação ao Executivo na mesa.
Até então, o governador João Azevêdo, que é cogitado como uma das alternativas ao Senado na chapa oficial, vinha se mostrando arredio à antecipação de debates sobre o quadro eleitoral do próximo ano, por entender que 2025 deveria ser dedicado à colheita administrativa, por seguir-se ao ano eleitoral de 2024 pelo controle de prefeituras municipais. Mas o chefe do Executivo dá a entender que começa a perceber como inevitável a deflagração do debate para 2026, levando em conta que no grupo oposicionista há líderes que já colocam o bloco nas ruas, a exemplo do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que é candidato declarado à reeleição e espera contar com o apoio do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como consequência da sua aproximação com o Partido dos Trabalhadores, sacramentada ainda nas eleições de 2022 quando concorreu ao governo do Estado tendo o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) como candidato ao Senado. A chapa amargou insucesso no primeiro turno e no segundo turno a polarização acabou cristalizada entre João Azevêdo e o então deputado federal Pedro Cunha Lima, que concorreu pelo PSDB, estando, hoje, filiado aos quadros do PSD.
É a dinâmica política do cenário em gestação na Paraíba que está ocasionando discussões preliminares em diferentes partidos. A oposição convive com suas divisões, tendo de um lado o agrupamento liderado pelo senador Efraim Filho e pelo ex-deputado Pedro Cunha Lima, reforçado pelo senador Veneziano, e, de outro, a representação da direita bolsonarista, que se expressa através do ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (PL), que foi candidato a prefeito de João Pessoa e avançou para o segundo turno contra Cícero Lucena, do PP, o vitorioso. Os segmentos oposicionistas antecipam a discussão não apenas porque estão sequiosos de uma revanche nas urnas para derrotar a hegemonia socialista de quase duas décadas no Estado, mas porque estão sendo cobrados por lideranças municipais, que têm interesse de se posicionar desde já, evitando surpresas desagradáveis no curso da campanha a ser travada no próximo ano.
Em igual intensidade, as bases ligadas ao governador João Azevêdo querem sinalizações para definição, envolvendo, principalmente, a formação da chapa majoritária. Há uma expectativa sobre a decisão final que o governador tomará sobre seu projeto de ser candidato ao Senado, como há interesse, também, em saber se o deputado Hugo Motta aceitará concorrer ao Executivo paraibano em 2026 ou ainda concentrará prioridades na Câmara Federal, para cuja presidência se elegeu com apoios expressivos arregimentados tanto junto a aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em última análise, os governistas querem saber qual o papel que estará reservado ao vice-governador Lucas Ribeiro ou ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, na conjuntura à vista. Por todos esses motivos é que o esquema do governador João Azevêdo concordou em abrir a agenda de discussão política – e deverão se tornar frequentes os encontros dos líderes principais para atualização das informações e, por via de consequência, para a elaboração de estratégias que possibilitem a manutenção do atual projeto de poder empalmado na Paraíba.