opinião

O risco de Bolsonaro imitar o PT na política externa

O presidente eleito Jair Bolsonaro tem recebido conselhos de seus assessores, formais e informais, na política externa que podem conduzi-lo a cometer os mesmos erros do PT

_61U1483.JPG   BRASILIA  DF 07/11/2018  POLITICA  - BOLSONARO / ALMOCO STJ - o presidente eleito fala com a imprensa no STJ onde almocou a convite do presidente do STJ Joao Otavio de Noronha. Bolsonaro estava acompanhado do filho, o senador eleito Flavio Bolsonaro, o filho e deputado reeleito  Eduardo Bolsonaro, o futuro ministro da Justica Sergio Moro  e o general Augusto Heleno. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO
_61U1483.JPG BRASILIA DF 07/11/2018 POLITICA - BOLSONARO / ALMOCO STJ - o presidente eleito fala com a imprensa no STJ onde almocou a convite do presidente do STJ Joao Otavio de Noronha. Bolsonaro estava acompanhado do filho, o senador eleito Flavio Bolsonaro, o filho e deputado reeleito Eduardo Bolsonaro, o futuro ministro da Justica Sergio Moro e o general Augusto Heleno. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Por Míriam Leitão:

O presidente eleito Jair Bolsonaro tem recebido conselhos de seus assessores, formais e informais, na política externa que podem conduzi-lo a cometer os mesmos erros do PT, que é fazer uma diplomacia ideológica e seguir uma caça às bruxas no Itamaraty.

Um bom nome que surgiu para chefiar o Itamaraty é o embaixador José Alfredo Graça Lima. Ele serviu bem a todos os governos com os quais trabalhou, sem um pingo de ideologia. Tem várias experiências internacionais e multilaterais. É aceito e respeitado dentro do Itamaraty. Mas tem sido bombardeado, no bolsonarismo, com o argumento de que seria “ligado a FHC”. Ora, essa foi a mesma acusação feita a ele nos governos do PT, quando ele foi levado à função consular. Se for fazer lista dos “ligados a FHC” vai colocar no ostracismo quadros excelentes.

Se a ideia for imitar o PT, e fazer o mesmo só que no sentido contrário, Bolsonaro deve ouvir esses conselheiros. Se o propósito é fazer uma política externa que não se deixe levar por aventuras, não persiga ligações ideológicas, ele deve escolher alguém da carreira com a capacidade de buscar os interesses permanentes do Brasil. A diplomacia, quando é boa, é de Estado e não de um governo.

Fonte: O Globo
Créditos: O Globo