
O deputado federal Lindbergh Farias, que é natural de João Pessoa mas representa o PT do Rio de Janeiro, cada vez mais ganha espaço como um dos principais articuladores do governo do presidente Lula na Câmara. Segundo a “Revista Fórum”, apesar de não ocupar formalmente o posto de líder do governo, cargo que é exercido por José Guimarães (PT-CE), Lindbergh desempenha papel fundamental nas negociações políticas, consolidando-se como uma das vozes mais ativas do partido junto ao Palácio do Planalto. Seu crescimento acontece em um contexto de reacomodação dentro da base governista, onde sua postura combativa e organizada tem garantido protagonismo.
Ele se destaca, também, como um dos mais ferrenhos críticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do esquema bolsonarista no Parlamento, inclusive, condenando a proposta de anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. A atuação do parlamentar tem sido encarada nos bastidores como um diferencial na articulação da base governista, que não consegue ser homogênea, estando dispersa entre expoentes de diferentes partidos com Índice de Governismo variável nas votações de matérias consideradas estratégicas pelo Palácio do Planalto.
Na opinião de interlocutores do governo, Farias tem buscado aprofundar-se nos temas antes de defender propostas no âmbito da Câmara dos Deputados, um traço que lhe confere credibilidade e reforça sua presença nas discussões dos temas mais sensíveis ou complexos. A capacidade de transitar entre diferentes grupos políticos igualmente é mencionada como um dos motivos para a ascensão de Lindbergh, que mudou de postura e foco em temas econômicos, cruciais para o governo Lula e que estão incidindo na queda de sua aprovação perante camadas expressivas da população, até mesmo entre eleitores do Nordeste, região que deu vitórias expressivas ao líder petista.
Antes um crítico veemente de determinadas medidas econômicas adotadas pelo governo, agora Lindbergh tem demonstrado mais pragmatismo nas falas e intervenções, na tribuna, em entrevistas ou em postagens nas redes sociais. Ele passou a defender com ênfase o arcabouço fiscal, mostrando-se mais alinhado com a estabilidade econômica preconizada pelo ministro Fernando Haddad e pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse movimento é analisado como estratégico dentro do Partido dos Trabalhadores, pois permite ao deputado construir pontes com setores mais moderados e, em paralelo, estender sua influência política. Lindbergh tem demonstrado interesse especial no impacto das medidas
econômicas junto à população, avaliando os efeitos práticos de cada política.
Recentemente, ao examinar um projeto voltado à exportação, manifestou preocupação inicial com o risco de aumento da inflação dos alimentos no mercado interno, contudo, após esclarecimentos de que a medida visava a exportação de serviços e não de produtos agrícolas, ajustou sua visão, reforçando a capacidade de interlocução e análise técnica criteriosa antes de firmar posição. O episódio, segundo fontes palacianas, reforçou seu papel como articulador atento aos detalhes e disposto a aprofundar-se nas discussões.
A “Revista Fórum” informa que outro ponto de destaque em sua atuação tem sido a sua
capacidade de estabelecer um diálogo efetivo com diferentes correntes do PT, inclusive, com setores mais ligados à agenda econômica. Tal flexibilidade política tem sido apontada como essencial para o governo, que precisa de interlocutores qualificados para lidar com as resistências do Congresso.
Fontes do Palácio do Planalto indicam que a atuação de Lindbergh tem sido bem recebida pelo governo, que identifica nele um aliado de peso para fortalecer a defesa de temas prioritários no Legislativo. Esse movimento pode significar um avanço em sua influência dentro da agremiação e no Congresso, pavimentando um caminho para a ocupação de posições estratégicas em futuras composições. Além disso, a consolidação de sua imagem como articulador experiente pode abrir espaço para voos mais
altos dentro da estrutura do próprio governo federal. Na opinião de um integrante da base, “se
continuar nesse ritmo, Lindbergh pode firmar-se como uma das figuras centrais do terceiro governo do presidente Lula no Congresso Nacional”.
Sua atuação também tem sido acompanhada por adversários, impactados com a capacidade de articulação e de mobilização de Lindbergh nos bastidores, numa demonstração de proatividade que pode oxigenar os passos da frente ampla de sustentação do governo petista.
Em recentes declarações à imprensa, o deputado Lindbergh Farias tratou como “um insulto à
sociedade brasileira” a tentativa de anistiar “os golpistas que agiram com o objetivo de aniquilar a democracia em nosso país, entre eles o ex-capitão Jair Bolsonaro”.
Acrescentou que a rigorosa denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República contra Bolsonaro e mais 33 pessoas integrantes de sua organização criminosa traz informações estarrecedoras que não deixam margem a dúvidas de que sobram provas dos inúmeros crimes cometidos. “A prisão do ex-presidente é uma questão de tempo”, obtemperou Lindbergh, notando que a denúncia da PGR evidencia nitidamente que o ex-presidente, no exercício do cargo, conspirou contra a democracia. “Na verdade, ele sempre agiu assim e tem uma longa ficha de antecedentes criminais. Como tenente do Exército, foi acusado de planejar a explosão dequartéis militares, com colegas de farda dentro, para pressionar por aumentos dos soldos. E ainda levou, aos 33 anos, uma generosa aposentadoria de capitão.
O general Ernesto Geisel, um dos presidentes de plantão do regime militar, chegou a chamá-lo de mau militar, dando a entender que não era conveniente às Forças Armadas ter em seus quadros gente como Bolsonaro. Também ameaçou o ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, defendeu sempre o torturador-mor da ditadura militar, um certo Brilhante Ustra, cuspiu no busto de Rubens Paiva, agrediu estupidamente a deputada Maria do Rosário e preconizou a morte de opositores do regime militar. Nunca escondeu seu desprezo pela democracia e pela vida, tanto que chegou a dizer que sua especialidade é a morte”, concluiu Lindbergh Farias.