
Há um empenho declarado da parte do governador João Azevêdo (PSB) em manter sob controle, na condição de líder de um agrupamento político expressivo, o processo de sua sucessão que, apesar de agendado para 2026, já está deflagrado, como é praxe na Paraíba, onde o debate eleitoral é uma constante, não se respeitando, sequer, o intervalo entre pleitos municipais majoritários e pleitos majoritários estaduais. No bloco governista, de que fazem parte, ainda, o Republicanos, o PP, o PSD e outros partidos à esquerda, as pretensões são colocadas antecipadamente como parte da estratégia para garantir a hegemonia do esquema que foi vitorioso com João à frente nas eleições de 2018 e de 2022. No bloco oposicionista, o interesse é ditado pelo oportunismo político, ou seja, pela necessidade de dividir o esquema do governo a fim de que os adversários tenham vantagem e possam dispor de condições mínimas de competitividade com quem for ungido para representar o rolo compressor do Palácio.
O planejamento do chefe do Executivo no sentido de controlar a situação demanda esforços para assegurar a todo custo a unidade da base, evitando defecções que já estão sendo contabilizadas pela oposição como certas, embora não confirmadas. Esse empenho de João Azevêdo leva em conta, ainda, a proliferação de pré-candidaturas na órbita do seu esquema, destacando-se desde agora nomes como o do vice-governador Lucas Ribeiro, do Progressistas, que será alçado à titularidade em caso de afastamento de João para concorrer ao Senado, do deputado estadual Adriano Galdino (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, que aparenta obstinação no projeto de ser candidato e de vencer o pleito e do secretário de Infraestrutura e Recursos Hídricos, Deusdete Queiroga (PSB), que alguns consideram como postulante “in pectoris” do governador João Azevêdo, embora este faça empenho descomunal para não se comprometer com ambições legítimas na esfera do seu círculo.
A miríade de interesses que gravita em torno da liderança e da cadeira de João Azevêdo já levou o próprio chefe do Executivo a cometer um quase “ato falho”, embora admitindo o óbvio, ao dizer que o vice-governador Lucas Ribeiro ascenderá automaticamente à sua vaga em caso de afastamento e que, no papel de titular, poderá buscar uma espécie de reeleição ao Executivo. João não insinuou concretamente que Lucas Ribeiro “será o candidato” – aventou a possibilidade de que ele venha a sê-lo caso a equação passe pela sua desincompatibilização. Mas foi o bastante para despertar reações de outros postulantes, como o deputado Adriano Galdino, que parece ter identificado uma “preferência” da parte de Azevêdo. Em consequência do mal-entendido sucederam-se reuniões, inclusive, na Granja Santana, para acalmar os mais exaltados e, de certa forma, zerar o jogo, desarmando-se os espíritos para as etapas futuras de entendimentos que serão acelerados. Lembre-se que, dentro do Progressistas, partido de Lucas, avulta também a possível candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, amparado por índices favoráveis de aprovação que ele tem conquistado, enquanto no PSD a senadora Daniella Ribeiro, mãe de Lucas, luta para manter sua pré-candidatura à reeleição ao Senado em 2026.
No início deste ano, o governador João Azevêdopassou a identificar a existência de outro protagonista influente dentro do seu esquema na tomada de decisões relacionadas à sua sucessão – o deputado Hugo Motta, do Republicanos, que se consagrou ao ser eleito presidente da Câmara dos Deputados e passar a figurar na linha de sucessão da própria presidência da República. Numa das entrevistas em que foi provocado sobre questões políticas, o chefe do Executivo foi enfático ao dizer que o processo da sua sucessão passará pelo crivo do deputado Hugo Motta, conhecido pelo bom trânsito junto a deputados de diferentes partidos, o que contribuiu para sua vitória na eleição da Mesa da Câmara. O reconhecimento do papel relevante do dirigente do Republicanos no processo serviu para desarmar o deputado Adriano Galdino, que já deixou claro que não deseja ser colhido de surpresa, muito menos ser surpreendido por fatos desagradáveis. Adriano Galdino já pontuou o compromisso de não fazer acenos na direção da oposição, permanecendo leal e fiel ao agrupamento governista que tem João Azevêdo como elo de expressão. Por enquanto, as definições estão paradas, embora não cesse o tom dos presumíveis candidatos à chefia do Executivo quanto à reiteração de suas ambições ou pretensões no cenário 2026.
O bloco oposicionista está dividido entre os parceiros da campanha de 2022 contra a reeleição de João Azevêdo, como o senador Efraim Filho, do União Brasil, o ex-deputado Pedro Cunha Lima (PSDB), que foi candidato ao governo e avançou para o segundo turno, e o senador Veneziano Vital do Rêgo, do MDB, que estacionou no primeiro turno mesmo contando com o primeiro apoio de Lula na campanha em nosso Estado. Esse agrupamento anti-Azevêdo é reforçado pelos expoentes da chamada direita bolsonarista, como o ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que concorreu a prefeito de João Pessoa em 2024, indo para o segundo turno contra Cícero Lucena, o deputado federal Cabo Gilberto Silva, que em princípio cogita disputar o Executivo no próximo ano e o pastor Sérgio Queiroz, do Novo, que corteja o Senado. Dificilmente esse bloco se unirá no primeiro turno, mas faz juras de se juntar no segundo, e joga pesado para dividir o bloco liderado por João. Dividir e desgastar, na expectativa de criar espaços para impor reviravolta na conjuntura política paraibana. João mantém-se atento, vigilante, para não dar chance a erros comprometedores para o projeto que está sendo esboçado nos bastidores.